Quero comprar uma
bicicleta pra dois
Te ver brava comigo
por queimar o arroz
A gente pede uma pizza
e viajamos pra Abrolhos
Tu me explica sobre Freud
eu te como com os olhos.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Saudoso
Tenho uma apreciação pelo antigo
Pelo empoeirado, esquecido
Num canto, num baú, numa caixa
Tenho apreço pelo que você procura e quase nunca acha.
Me perguntam de onde surgiu tal cartada?
De onde veio tal admiração?
Acho que nasci na época errada
Nasci velho, queira ou não
Sou um eterno saudosista
E mesmo que eu insista
Preferia o tempo em que era mais firme
o aperto de mão.
"achei perdido no meio das postagens"
Pelo empoeirado, esquecido
Num canto, num baú, numa caixa
Tenho apreço pelo que você procura e quase nunca acha.
Me perguntam de onde surgiu tal cartada?
De onde veio tal admiração?
Acho que nasci na época errada
Nasci velho, queira ou não
Sou um eterno saudosista
E mesmo que eu insista
Preferia o tempo em que era mais firme
o aperto de mão.
"achei perdido no meio das postagens"
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Pangéia.
Perdi a ideia
Separou-se da cabeça
Pangéia.
Fragmentos de (in)continentes pensamentos
pedaços boiando num oceano cinzento
ligados em correntes marítimas de lembranças
reparti a ideia.
Pengéia.
Separou-se da cabeça
Pangéia.
Fragmentos de (in)continentes pensamentos
pedaços boiando num oceano cinzento
ligados em correntes marítimas de lembranças
reparti a ideia.
Pengéia.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Linguistiocídio
E você escuta um "cleck" no pé da orelha
é a palavra que se engatilha pra sair da boca
é a palavra descendo do cérebro e se transformando
em movimento mecânico das cordas da garganta
em vibração das cordas
das cordas do pescoço
da corda no pescoço
da pressão de acertar a palavra pro momento certo
na pressão de acertar a palavra em cima do banco
em cima do muro.
é a palavra que se engatilha pra sair da boca
é a palavra descendo do cérebro e se transformando
em movimento mecânico das cordas da garganta
em vibração das cordas
das cordas do pescoço
da corda no pescoço
da pressão de acertar a palavra pro momento certo
na pressão de acertar a palavra em cima do banco
em cima do muro.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Fatias do Familiano Cotidiar
- Nossa, onde você conseguiu esse abdômem? - indaga a esposa passando a mão nas dobras esculpidas.
- Malhando, oras. - Responde o marido.
- E porque eu nunca tinha visto isso antes? Há quanto tempo a gente não transa?
- Dois anos.
- Dois anos? Meu Deus! Você nem deve me amar mais, aposto que já tem outra!
- Sim.
- Tem mesmo? pergunta lacrimejando.
- Outras.
- E aposto que elas adoram essa barriga sarada. - Comenta enciumada.
- É claro, todos adoram. Até seu Antenor da Padaria.
Como é bom descobrir (assim, no meio das preliminares) um marido gostoso e viado.
- Malhando, oras. - Responde o marido.
- E porque eu nunca tinha visto isso antes? Há quanto tempo a gente não transa?
- Dois anos.
- Dois anos? Meu Deus! Você nem deve me amar mais, aposto que já tem outra!
- Sim.
- Tem mesmo? pergunta lacrimejando.
- Outras.
- E aposto que elas adoram essa barriga sarada. - Comenta enciumada.
- É claro, todos adoram. Até seu Antenor da Padaria.
Como é bom descobrir (assim, no meio das preliminares) um marido gostoso e viado.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Fugi de casa.
Hoje eu fugi de casa
Voltei porque esqueci meus princípios
Como se eu não vivesse sem eles
Até parece...
terça-feira, 5 de julho de 2011
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Boom.
Eu sei que corro o risco
mas eu gosto dessa explosão inesperada
uma bomba relógio sem tempo
sem data, sem aceno que vai explodir.
Chega perto, bem perto
deixe-me ouvir seu tic tac
seu coração de dinamite
sei que lá no fundo, apesar de ser a bomba
é você quem me desarma.
mas eu gosto dessa explosão inesperada
uma bomba relógio sem tempo
sem data, sem aceno que vai explodir.
Chega perto, bem perto
deixe-me ouvir seu tic tac
seu coração de dinamite
sei que lá no fundo, apesar de ser a bomba
é você quem me desarma.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Frente Verso
Frente
Verso
um
verso
a
frente
uma
frente
pro
verso
um
verso
decente
um
verso
de frente
a frente
do teu
verso
na tua
frente
verso.
Verso
um
verso
a
frente
uma
frente
pro
verso
um
verso
decente
um
verso
de frente
a frente
do teu
verso
na tua
frente
verso.
Tanto faz.
Tamborilam-nos,
Chumaços.
Impermeabilizam, permeiam,
Espaços.
De espessas penas, cores;
Aos milhares,
Aos escritores,
Aos castigos.
Dos sanhaços.
Da Amanda, mostrando mais uma vez o quão melhor ela é nisso.
Colaboração da Karina que emprestou o lápis num momento de despreparo da inspiração Amandística.
Chumaços.
Impermeabilizam, permeiam,
Espaços.
De espessas penas, cores;
Aos milhares,
Aos escritores,
Aos castigos.
Dos sanhaços.
Da Amanda, mostrando mais uma vez o quão melhor ela é nisso.
Colaboração da Karina que emprestou o lápis num momento de despreparo da inspiração Amandística.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Sanhaço.
Sanhaço pousou na janela
cancela o cansaço,
vou com ele cantar.
Eu saio da rede,
viola timbira,
uma dupla caipira
nós vamos montar...
Desafio com a Amanda, a palavra era Sanhaço... logo ela posta o dela aqui.
o/
cancela o cansaço,
vou com ele cantar.
Eu saio da rede,
viola timbira,
uma dupla caipira
nós vamos montar...
Desafio com a Amanda, a palavra era Sanhaço... logo ela posta o dela aqui.
o/
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Sem título
Por favor,
Arraque esta minha cabeça que faz planos e
coloque no lugar apenas um balão
que mais do que metaforicamente
é vazio, sem direção.
Assopre na minha orelha o nome
de um lugar qualquer
e deixe-me voar ao (clichê maior do mundo)
sabor do vento.
balão no lugar da cabeça
simples: sem planos, ideais e sonhos
pra me azucrinar.
Arraque esta minha cabeça que faz planos e
coloque no lugar apenas um balão
que mais do que metaforicamente
é vazio, sem direção.
Assopre na minha orelha o nome
de um lugar qualquer
e deixe-me voar ao (clichê maior do mundo)
sabor do vento.
balão no lugar da cabeça
simples: sem planos, ideais e sonhos
pra me azucrinar.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
sábado, 4 de junho de 2011
Finóquio
Finóquio era um velho. E era velho pois tinha nome de velho. Finóquio. Certamente na infância encarara vários engraçadinhos que o chamavam, obviamente, de Pinóquio, cara de pau, coisas da quinta série, ou do quinto colegial como diziam.
Finóquio é velho. Não “era”, pois ainda não morreu. E a carapaça que se esconde quando fica envergonhado, ganhou de uma tartaruga gigante que ficou amigo quando foi marujo.
Rubro e com óculos dourados, ele tem hábitos peculiares dos avôs, ler para os netos, dormir e reclamar.
Um velho. O velho Finóquio. Foi lobista, engenheiro, arquiteto catalão. Foi jogador, foi zagueiro, da primeira a quinta divisão. Foi piloto, marceneiro, um bombeiro de plantão. Foi ouvinte, foi leitor, foi fazedor de refrão.
Por detestar rimas dedico a ele o passado parágrafo.
Só toma leite de Minas e café da mesma procedência. Teve estudos, teve privilégios, mas também tem calos nas mãos e a cara queimada pelo sol.
Finóquio, um velho avô. Um dado do IBGE, um número na Previdência, um na fila dos aposentados.
É ranzinza, é careta, acorda com uma dor no joelho que nunca contou pra ninguém.
Olha pela janela a Ford Jardineira que passa carregada de moçoilas e suspira:
- “ Ah Finóquio, quanta saudade das traquinagens juvenis...”
Finóquio, o velho.
Continua...
Finóquio é velho. Não “era”, pois ainda não morreu. E a carapaça que se esconde quando fica envergonhado, ganhou de uma tartaruga gigante que ficou amigo quando foi marujo.
Rubro e com óculos dourados, ele tem hábitos peculiares dos avôs, ler para os netos, dormir e reclamar.
Um velho. O velho Finóquio. Foi lobista, engenheiro, arquiteto catalão. Foi jogador, foi zagueiro, da primeira a quinta divisão. Foi piloto, marceneiro, um bombeiro de plantão. Foi ouvinte, foi leitor, foi fazedor de refrão.
Por detestar rimas dedico a ele o passado parágrafo.
Só toma leite de Minas e café da mesma procedência. Teve estudos, teve privilégios, mas também tem calos nas mãos e a cara queimada pelo sol.
Finóquio, um velho avô. Um dado do IBGE, um número na Previdência, um na fila dos aposentados.
É ranzinza, é careta, acorda com uma dor no joelho que nunca contou pra ninguém.
Olha pela janela a Ford Jardineira que passa carregada de moçoilas e suspira:
- “ Ah Finóquio, quanta saudade das traquinagens juvenis...”
Finóquio, o velho.
Continua...
terça-feira, 24 de maio de 2011
Pitaco
Primeira regra:
Minhas intenções são sempre as segundas.
E minhas segundas (feira)
são sempre mal intencionadas.
Minhas intenções são sempre as segundas.
E minhas segundas (feira)
são sempre mal intencionadas.
sábado, 21 de maio de 2011
Ao léu
Perdi um pouco da paciência
e outro tanto da vontade
tudo deixo passar ao léu.
Nada mais era
nada mais é
nada, mas é.
Vida "destrilhada"
desagarrada
"desavivada"
Tudo suspenso
mas continuo com os pés pesados
sem poder sonhar.
e outro tanto da vontade
tudo deixo passar ao léu.
Nada mais era
nada mais é
nada, mas é.
Vida "destrilhada"
desagarrada
"desavivada"
Tudo suspenso
mas continuo com os pés pesados
sem poder sonhar.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Chiquesa!
E como a gente é chique beim!
A gente fala "faça-o
aguça, mesóclise e barítono"
A gente fala no gerúndio
no Geraldio e no Gerândio
a gente usa tudo que precisa
coesão, coesura, ora mole, ora dura
fala fino, fala elegante, fala sem saber, sabe sem falar
palavra difícil pra parecer mais sabido
o que eu quero mais é me "aproxegar" da lingua portuguesa
essa língua é culta não é verdade Creuza?
A gente fala "faça-o
aguça, mesóclise e barítono"
A gente fala no gerúndio
no Geraldio e no Gerândio
a gente usa tudo que precisa
coesão, coesura, ora mole, ora dura
fala fino, fala elegante, fala sem saber, sabe sem falar
palavra difícil pra parecer mais sabido
o que eu quero mais é me "aproxegar" da lingua portuguesa
essa língua é culta não é verdade Creuza?
Acordava com uma remela saltitando, o olhar pesado de preguiça. A "pandinice" da maquiagem esquecido ao deitar, a orelha amassada por dormir com a mão embaixo da cabeça. O mau hálito matinal, típico, o bom dia baixinho da voz rouca e tímida. A espeguiçada como se estivesse ao sol, ainda assim, era a coisa mais linda que eu já vi acordando.
Assinar:
Postagens (Atom)