A claridade solar me impede de ver
O fogo do isqueiro
Que tenta acender meu cigarro...
E meu óculos-escuro
Não vê nem a ponta
Desse cigarro que tento acender...
sexta-feira, 12 de março de 2010
"Eu não quero ver meu rosto antes de anoitecer"
Pois a noite todas as máscaras
caem,
mas os rostos são pardos...
caem,
mas os rostos são pardos...
quarta-feira, 3 de março de 2010
segunda-feira, 1 de março de 2010
CORES E FLORES DE MEU FOSCO SER E DE MEU SOLO SÁFARO
Vejo sobre a mesa
Um vaso de flores de plástico,
Plantas estagnadamente vivas,
Ao seu redor,
O contraste colorante de frutas colhidas,
Maduramente mortas,
Arquivolto
De bordados de frutas
Na toalha da mesa
E de feijões carunchados,
Descartados,
Fonte e estadia vital
Para animálculos análogos
A seus descartadores...
Quando semi-ergo meus olhos,
Vejo pela janela a planta oblíqua
A chorar,
Como quem é corrompida pelo movimento
E não tem flores...
Mas, e eu?
Meus amores...?
Não há flores nas cores,
Há cores nas flores,
Como inquilinas
Que esparramam-se
Até o limite físico-floral...
Mas, e nas cores o que há?
E o pior,
O que há no negror de minha consciência?
Eu, ser fosco,
O que haveria Eu de Ser?
Eu, que murcho nas flores,
Com a aspereza de ex-mágoas,
deito
E esmago-as
Fazendo vazar
Líquidas cores desabrigadas...
O que resta a ela?
O que restará a mim?
A mim, à cor
Resta a disformidade corporal
E a escureza calorífica do solo...
As rompidas cores florais
Hão de encontrar suas parentas crioulas
E eu
Em contato entrarei
Com vermes,
Minha desditosa prole inconsciente,
Inquilina da terra...
Um vaso de flores de plástico,
Plantas estagnadamente vivas,
Ao seu redor,
O contraste colorante de frutas colhidas,
Maduramente mortas,
Arquivolto
De bordados de frutas
Na toalha da mesa
E de feijões carunchados,
Descartados,
Fonte e estadia vital
Para animálculos análogos
A seus descartadores...
Quando semi-ergo meus olhos,
Vejo pela janela a planta oblíqua
A chorar,
Como quem é corrompida pelo movimento
E não tem flores...
Mas, e eu?
Meus amores...?
Não há flores nas cores,
Há cores nas flores,
Como inquilinas
Que esparramam-se
Até o limite físico-floral...
Mas, e nas cores o que há?
E o pior,
O que há no negror de minha consciência?
Eu, ser fosco,
O que haveria Eu de Ser?
Eu, que murcho nas flores,
Com a aspereza de ex-mágoas,
deito
E esmago-as
Fazendo vazar
Líquidas cores desabrigadas...
O que resta a ela?
O que restará a mim?
A mim, à cor
Resta a disformidade corporal
E a escureza calorífica do solo...
As rompidas cores florais
Hão de encontrar suas parentas crioulas
E eu
Em contato entrarei
Com vermes,
Minha desditosa prole inconsciente,
Inquilina da terra...
Resquício Entusiasta de uma Poesia Abstrata
Estou entregue
Ante as novas impressões
Que arrombam as minhas portas
E pousam leve no chão de minha consciência...
Minhas antigas concepções estão sendo defenestradas
Por desordeiras percepções,
Pela mesma janela-toda-aberta
Com que lanço meu novo olhar,
Trazidas pelo vento
Que ao mesmo tempo
Deixa comigo tudo o que rejeita,
Na incerteza ávida de seu passar...
Mudanças que me habitam,
Todas elas por arrumar a si mesmas.
Todas, particularmente, a se instalar
E estabelecer conexões entre suas vizinhas indesejadas,
Aturadas graças à raiz única de seus propósitos.
Vivendo, qual fantasma uma das outras,
A lutar pela mansarda abandonada,
Tendo plena inconsciência de estar lutando
Por ruínas de um jazigo,
Arrombando a porta irreal
Que jaz ao chão
E encontrando um solo concreto...
Mas o que realmente eu queria falar
Eram coisas reais...
Como a encruzilhada abstrata
Da qual vejo os caminhantes passar.
Olhando o retardado desejo e, adiante,
O futuro afoito
Ao qual alcanço com o olhar,
Ao longo de um percurso infinito
Lanço-me ao futuro
Esperando o desejo presente na linha de largada,
Que é a mesma da chegada sem fim...
Ante as novas impressões
Que arrombam as minhas portas
E pousam leve no chão de minha consciência...
Minhas antigas concepções estão sendo defenestradas
Por desordeiras percepções,
Pela mesma janela-toda-aberta
Com que lanço meu novo olhar,
Trazidas pelo vento
Que ao mesmo tempo
Deixa comigo tudo o que rejeita,
Na incerteza ávida de seu passar...
Mudanças que me habitam,
Todas elas por arrumar a si mesmas.
Todas, particularmente, a se instalar
E estabelecer conexões entre suas vizinhas indesejadas,
Aturadas graças à raiz única de seus propósitos.
Vivendo, qual fantasma uma das outras,
A lutar pela mansarda abandonada,
Tendo plena inconsciência de estar lutando
Por ruínas de um jazigo,
Arrombando a porta irreal
Que jaz ao chão
E encontrando um solo concreto...
Mas o que realmente eu queria falar
Eram coisas reais...
Como a encruzilhada abstrata
Da qual vejo os caminhantes passar.
Olhando o retardado desejo e, adiante,
O futuro afoito
Ao qual alcanço com o olhar,
Ao longo de um percurso infinito
Lanço-me ao futuro
Esperando o desejo presente na linha de largada,
Que é a mesma da chegada sem fim...
Tendo sem ter, crendo sem querer
Tenho de ler Hume,
Tenho a barba por fazer...
Tenho, tenho, tenho...
E, no entanto, nada tenho.
Devo moderar-me.
Devo, devo, devo...
Mesmo não podendo pagar
Juro que não me atrevo
A comprometer-me,
Mas, no entanto,
Meto-me na vala escura de viver.
E de novo tenho sem nada ter,
Afogando-me em saudades vazias.
Tendo em mim que quero passar indolente
Nesse sofá em que me deito,
Sentindo o peito cansado de ar,
Cheio de nada
A boiar nas possibilidades todas,
Nas palavras engasgadas
Em minha garganta
Que justamente liga a cabeça
Ao vendaval de meu peito ou pulmão...
Sei lá, um sopro forte bateu
E arrastou as possibilidades
A terras de incertezas posteriores,
Para além de meu olhar.
E agora, nem sei se tenho fome,
Minha boca já é seca,
Melhor nem falar.
Tenho a barba por fazer...
Tenho, tenho, tenho...
E, no entanto, nada tenho.
Devo moderar-me.
Devo, devo, devo...
Mesmo não podendo pagar
Juro que não me atrevo
A comprometer-me,
Mas, no entanto,
Meto-me na vala escura de viver.
E de novo tenho sem nada ter,
Afogando-me em saudades vazias.
Tendo em mim que quero passar indolente
Nesse sofá em que me deito,
Sentindo o peito cansado de ar,
Cheio de nada
A boiar nas possibilidades todas,
Nas palavras engasgadas
Em minha garganta
Que justamente liga a cabeça
Ao vendaval de meu peito ou pulmão...
Sei lá, um sopro forte bateu
E arrastou as possibilidades
A terras de incertezas posteriores,
Para além de meu olhar.
E agora, nem sei se tenho fome,
Minha boca já é seca,
Melhor nem falar.
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